DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE PARALISIA FLÁCIDA EM BOVINOS: POSSÍVEL CASO DE BOTULISMO COMO RELATO CLÍNICO E ANÁLISE COMPARATIVA COM OUTRAS ETIOLOGIAS NEUROMUSCULARES
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Data
0026-03-12
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Resumo
A paralisia flácida em bovinos configura um desafio diagnóstico relevante na clínica veterinária,
em razão da diversidade de enfermidades que podem cursar com sinais neuromusculares
semelhantes. Este trabalho tem como objetivo realizar uma análise comparativa entre distintas
etiologias associadas à paralisia flácida, com ênfase em um possível caso clínico de botulismo. A
pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória, na qual baseia-se em um relato de caso
observado em campo, no qual a presença de sinais neurológicos progressivos levantou a suspeita
de intoxicação por neurotoxinas produzidas por Clostridium botulinum. A partir dessa ocorrência,
são revisados os principais agentes que provocam quadros clínicos semelhantes, como raiva,
hipocalcemia, hipomagnesemia e o próprio botulismo, com destaque para os métodos de
diferenciação clínica, epidemiológica e laboratorial. A abordagem adota uma perspectiva prática,
voltada à realidade da medicina veterinária rural, considerando os impactos sanitários,
zootécnicos e econômicos. Os animais estudados no Sítio Ribeirão Bonito, em Álvares
Florence/SP, apresentaram sinais clínicos típicos de paralisia flácida, incluindo tetraparesia,
ataxia, sialorreia, perda de tônus da cauda e, em casos graves, da musculatura da língua. O
histórico revelou ausência de vacinação contra clostridiose e alimentação em pastagem adubada
com compostagem de aviário, sugerindo intoxicação por Clostridium botulinum. A maioria dos
casos evoluiu para óbito em cerca de 5 dias, com apenas um animal sobrevivente sem sequelas.
Não foram realizados exames laboratoriais confirmatórios devido à rápida progressão dos
sintomas, mas as análises clínicas e epidemiológicas reforçaram a hipótese de botulismo. O
tratamento incluiu fluidoterapia, suplementação de cálcio, vitaminas do complexo B,
hepatoprotetores e antibióticos, além de suporte mecânico para evitar atrofia muscular. Concluise
que o estudo evidencia a relevância do diagnóstico clínico-epidemiológico aliado à prevenção
por meio da vacinação e do manejo adequado. No caso do botulismo, a vacinação deve seguir o
protocolo de duas doses iniciais, com intervalo de 30 dias, seguidas de revacinação anual (em
regiões endêmicas, recomenda-se a aplicação da vacina a cada 6 meses), garantindo a manutenção
do rebanho. Assim, o botulismo se destaca como um importante desafio à sanidade bovina, além
de o estudo contribuir para a formação crítica do médico-veterinário, ao oferecer subsídios para o
diagnóstico diferencial e para a tomada de decisões diante de distúrbios neuromusculares em
ruminantes.
Descrição
Palavras-chave
Botulismo, bovinos, diagnóstico diferencial, neurologia veterinária, paralisia flácida.