A mente do agressor em crimes hediondos: análise psicológica do caso Elize Matsunaga

Resumo

O presente artigo tem como objetivo analisar a mente do agressor em crimes hediondos sob uma perspectiva psicológica e jurídica, tomando como estudo de caso o homicídio cometido por Elize Matsunaga. Busca-se compreender como fatores emocionais, sociais e históricos influenciaram sua conduta, articulando esses elementos aos conceitos da psicologia forense e criminal. A investigação parte da premissa de que o comportamento violento é um fenômeno multifatorial e precisa ser examinado para além da dimensão exclusivamente punitiva. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, estruturada como estudo de caso único. O corpus é composto por obras jornalísticas e biográficas amplamente divulgadas sobre o caso, como o livro de Ulisses Campbell e reportagens de grande circulação, além de documentários, entrevistas públicas, trechos do julgamento e decisões judiciais disponíveis. Também foram consultados textos teóricos da psicologia, psicanálise e criminologia. As fontes foram selecionadas segundo critérios de relevância temática, acessibilidade pública e confiabilidade editorial, respeitando-se a limitação de não haver contato direto com a autora do crime nem análise pericial. Com base nesse material, foram analisados aspectos como traumas na infância, vínculos afetivos fragilizados, relações de poder no contexto conjugal e efeitos da desigualdade de gênero. A fundamentação teórica apoia-se em autores como Freud, Bowlby e Bion, que contribuem para a compreensão da agressividade, da pulsão de morte e da formação dos vínculos emocionais. Os achados, de natureza interpretativa e não diagnóstica, indicam que a trajetória de Elize é atravessada por experiências de violência, abandono e instabilidade afetiva, fatores que, articulados ao contexto relacional adulto, ajudam a compreender sem justificar a complexidade psíquica envolvida no crime. Conclui-se que investigar a mente do agressor não significa atenuar sua responsabilidade, mas reconhecer que o comportamento criminoso é resultado de múltiplas determinações. Nesse sentido, a integração entre psicologia e direito mostra-se fundamental para o desenvolvimento de práticas preventivas, humanizadas e coerentes com a complexidade da criminalidade contemporânea.

Descrição

Artigo de conclusão de curso de Psicologia

Palavras-chave

crimes hediondos, psicologia forense, mente do agressor, Elize Matsunaga, pulsão de morte.

Citação